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Como é a minha relação com a minha avó materna?

Eu gostaria de ter conversado mais com a minha avó materna. A mãe da minha mãe. Já são quase seis anos que ela deixou esse plano terreno. Hoje, tenho essa consciência. Deixei de perguntar como foi a sua primeira menstruação, o que a sua mãe lhe disse quando esse momento chegou, como era usar absorventes de pano, como era ser a única Mulher entre sete filhos, como sabia quando estava (ou não) no período fértil para se prevenir de uma gravidez, se gostaria de ter tido uma profissão ou se era realizada cuidando da casa e das filhas, o quanto o machismo a incomodava (ou se ela enxergava isso), o que as outras pessoas falaram sobre ela ter duas filhas meninas e nenhum menino, o que ela sabia da ligação da Mulher com a Natureza… O que era ser Mulher para ela.

 

Conforme a sabedoria do Sagrado Feminino, toda Mulher que tem o seu ciclo fértil encerrado e entra na menopausa, torna-se uma Bruxa Anciã, o arquétipo vivido pelas Mulheres férteis durante a menstruação. Isso quer dizer que as nossas abuelas estão em permanente contato com o mundo interior, com a intuição, com a voz da Sagrada Mãe. É a sábia. A sociedade machista não dá o valor que essas Mulheres mais velhas merecem. Não percebemos o quanto podemos aprender com elas. Miranda Gray, em Lua Vermelha, diz assim:

 

Sua percepção da vida não é mais cíclica, mas equilibrada entre os mundos interior e exterior. Desse ponto vantajoso de constante consciência de ambos os mundos, a mulher pós-menopáusica é por si só uma sacerdotisa natural, xamã, curandeira e visionária. Ela tem acesso contínuo à dimensão espiritual da vida […]. (Pág. 285)

 

Claro que há questões dolorosas que também envolvem as nossas avós. Se nós sofremos com o patriarcado hoje, quando podemos levantar nossas vozes e gritar alto contra ele, imagina as nossas avós que eram repreendidas até por pensar algo? Trazemos essa dor conosco, nos nossos ventres. É importante saber se sua avó teve alguma “doença feminina”. No útero, ovários, seios… Esse ponto pode dizer bastante sobre como ela lidava com o corpo e a energia de Mulher. Como foram suas gravidezes? Seus partos? São outras perguntas interessantes a se fazer. A minha avó, por exemplo, faleceu por conta de um câncer no intestino e na parede do estômago. O que posso aprender a partir disso? Como posso buscar a minha cura e, consequentemente, a dela? A nossa cura.

 

Sei, também, que há aquelas que nunca conheceram sua avó materna. Ou que possuem uma avó materna de coração, não de sangue. O que importa de verdade é o sentimento que liga vocês duas. Estabelecer uma ligação com ela é saber um pouco mais o que as Mulheres de ontem pensavam e sabiam sobre tudo o que significa ser Mulher. Às vezes, vivemos muito ligadas com a nossa própria visão de mundo, enquanto que podemos expandir muito mais a nossa percepção sobre todo o mistério e beleza que envolve os ciclos e a energia femininos. Podemos ler livros, ver filmes, estudar, mas ouvir da boca de uma Mulher o que ela viveu e o que ela sabe da vida é imensamente mais valioso.

 

Eu senti uma dor que nunca havia sentido na hora de dizer adeus no velório da minha avó materna. Talvez, porque uma parte de mim estava indo junto. Uma parte da minha história. Da minha ancestralidade. Do meu Sagrado Feminino. Mas sei que, de onde estiver, minha avó materna está cuidando de mim. E, talvez, sorrindo por eu estar no caminho de ser a Mulher Sagrada que vim ser aqui nesta Terra. Vó, obrigada por tudo. Eu lhe perdoo e eu peço desculpas por qualquer coisa que eu possa ter feito e tenha feito você sofrer. Olhe por mim, pela minha mãe, pelas minhas irmãs, pela minha tia, por todas as Mulheres que vieram a esse mundo ser o que elas são: força. E amor.

 

Exercício Sagrado #14: Se você ainda tem a sua avó materna, aproveite para conversar com ela sobre essas questões de Mulher. Sei que talvez eu teria vergonha de perguntar, mas não pense nisso. Sinta o que você quer saber dela e vá em frente. Se ela já se foi, converse com a sua mãe sobre o que ela sabia da sua avó. Se isso não for possível, se desejar, feche os olhos e pense nela. Converse, peça desculpas, peça ajuda, agradeça… Ela lhe ouvirá. É a sua avó materna. E sempre será.

 

Postado na Lua Minguante

 

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