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Como é a minha relação com a minha mãe?

Eu nunca tinha me dado conta da real importância de como é a minha relação com a minha mãe até começar a estudar o Sagrado Feminino. Sim, eu sempre soube que foi ela que me gestou por nove meses na barriga, me amamentou e me cuidou até que eu pudesse “me virar sozinha”. Mas o que de fato significa isso? E mais: o que vai além, muito além disso? Fui percebendo que, não adianta o que aconteça durante a minha existência, a minha mãe é e sempre será a Mulher mais importante da minha vida e com quem eu tenho e terei uma ligação eterna. Foi ela que gestou e me deu as irmãs que tenho e com as quais vim a esse mundo para conviver e aprender. Comecei a olhá-la para além da Mãe. Para a Mulher que mora dentro dela. E isso é lindo, mas também doloroso…

 

Até hoje, foram várias as fases com a minha mãe. Nasci de cesárea, depois de no último mês ela ter que ficar de repouso na cama para que eu não nascesse antes do tempo. Quando criança, sempre fui muito tímida e obediente. Mandava e eu obedecia. Ela sempre diz que eu fui a filha mais calma das quatro. Nunca dei problema. Quando adolescente, lembro de sentir medo dela. Minha mãe sempre foi uma Mulher forte, muito forte, mas nervosa e até brava, talvez por tudo o que teve que enfrentar até hoje. Por isso, na minha adolescência eu sentia medo de pedir permissão para ir em festas, de mostrar uma nota mais baixa no colégio, de comprar uma roupa mais sensual, de passar maquiagem e ela não gostar… Medos bobos, mas que na época me faziam suar frio.

 

Quando eu fui para a universidade, o medo permaneceu, mas começou a se transformar em raiva. Eu não sabia, mas começava a ficar com raiva por ela não aceitar o jeito como eu via a vida. Ou como eu queria vivê-la naquele momento. Namorar quem eu queria namorar. Também, por ela não ver com bons olhos minha escolha profissional. Já briguei tantas vezes com ela… Na época final da faculdade (como conto aqui), fomos ao auge da discórdia. Gritos, choros, descontrole, portas batidas. Eu sentia muita raiva. Tanta raiva que eu sentia culpa por estar sentindo aquilo pela minha mãe. Mas não me parecia possível ela não ver que muita coisa que ela fazia influenciava negativamente a minha vida e das minhas irmãs. Não tinha bom dia, feliz aniversário, feliz dia das mães… Hoje, sinto que foi um período tão mas tão triste e sei que vai levar um tempo para eu me curar. Perdoar-me e perdoá-la.

 

Aí, parei com a pílula, comecei a me reconectar comigo mesma e percebi que, Deusa do céu, eu precisava consertar essa relação problemática que tinha virado a convivência com a minha mãe. Comecei por conversar mesmo. Normal, sem gritos. Ajudar mais nas tarefas diárias de casa. Perceber momentos em que ela está mais nervosa e não rebater para não piorar ainda mais o clima. Ouvir, de verdade, os conselhos. Conhecer um pouco mais sobre como foram as gravidezes e os partos. A primeira menstruação. Olhá-la como Mulher. Enfim… Saber de momentos bons e outros ruins. Em alguns meses, posso dizer que nossa relação mudou da água para o vinho. E foi tão bom! Não sei como consegui viver com aquele peso. Claro que ainda há muitas coisas com as quais discordamos, mas isso não pode ser maior do que o laço de amor e cuidado que temos entre nós.

 

Sou a terceira de quatro filhas Mulheres. Não veio o menino desejado pelo meu pai. Hoje, sinto que a minha mãe veio a esse mundo para, primeiro, ser mãe. Quando falei isso para ela, ela concordou. Segundo, ela veio ser mãe de meninas. Veio ser a minha mãe e eu vim ser a filha dela. Juntas, viemos para aprender uma com a outra. Perdoar uma a outra. Para amar uma a outra, antes e apesar de tudo.

 

Exercício Sagrado #15: Se você sente que precisa resolver alguma questão com a sua mãe, fale. Hoje. Não deixe para amanhã. Se quiser e se ela der abertura, converse com ela sobre momentos que a marcaram como Mulher. Conte os seus. Aproveite o tempo em que vocês estão juntas.

 

Postado na Lua Nova

 

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