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Como é a minha relação com meu corpo de Mulher?

O corpo da Mulher parece não pertencer a ela mesma. Li isso em algum lugar e faz (nenhum) sentido. Parece sempre ser de outro alguém. Da religião, do marido, das capas de revistas, dos babacas que gritam “gostosa” na rua. A sociedade machista é cruel com nossos corpos. Ao mesmo tempo em que não o podemos tocar (“Tira essa mão daí, menina!”), ele precisa estar perfeito. Na medida, no peso, no bronzeado certo. Quantas Mulheres você já ouviu falarem “Eu gosto do meu corpo”? Você mesma já falou isso alguma vez na vida? Eu gosto do meu corpo. Eu amo o meu corpo. EU AMO O MEU CORPO. O mundo precisa ouvir em Caps Lock. Mas antes de falar é preciso sentir.

 

Lembro-me de vários momentos, na pré-adolescência, em que me sentia constrangida com a simples ideia de que me veriam sem roupa. Tomar banho depois das aulas de natação no vestiário feminino era uma tortura. A toalha era o meu escudo. Nunca consegui e até hoje não consigo ficar nua na frente de outras Mulheres. Com exceção das ginecologistas. Vejo amigas que fazem isso e penso: “Como elas conseguem?” Depilação na virilha também era um tormento. Quando o verão se aproximava, eu chegava a suar frio para pegar o telefone e ligar para marcar por saber que a depiladora iria me ver sem calcinha. E ainda me tocar. Nas vezes em que fui à pediatra depois de ficar menstruada, nos provadores de lojas de roupa, nas provas do vestido de debutante… Batia um pavor.

 

Era um medo daquele corpo que se transformava. De certa forma, era um medo de ser Mulher. Ao mesmo tempo, lembro-me de, às vezes, me olhar no espelho antes do banho e gostar do que via. Mas logo me afastava. Eu evitava até me tocar debaixo do chuveiro. Era como se eu soubesse que o corpo era meu, mas eu não deveria e nem havia o porquê explorá-lo, descobri-lo, senti-lo… Parecia errado. Pura repressão inconsciente. Durante a adolescência, lembro-me de estar no bar do colégio e olhar para as gurias da outra sala. Elas, com aqueles seios, com aquela bunda… Eram dessas que os guris gostavam, pensava. Sempre pertenci ao time das magras. A sem peito e sem bunda. Sem autoestima.

 

Até que, anos depois, precisou um homem dizer que o meu corpo era bonito para que eu realmente começasse a sentir que ele era bonito. Não sem antes pensar: “O que ele viu em mim?” Precisei ouvir da boca de outra pessoa o que deveria ter saído da minha boca. Do meu coração. Foi preciso que um homem me fizesse perceber que eu posso, sim, ser muito feliz com o meu corpo para que eu começasse a andar na rua confiante. Caminhar me sentindo linda. Vocês já caminharam se sentindo lindas? É tão bom!!! Até quando as Mulheres precisarão do olhar do outro para, então, se amarem? Em que momento falhamos se não conseguimos reconhecer a beleza do nosso próprio corpo?

 

O meu corpo de Mulher me acompanhará por toda a minha vida. Melhor eu amá-lo e cuidar bem dele, começando agora. Hoje, convivo bem com o espelho. Na maioria dos dias, pelo menos. Procuro ver o meu corpo como um presente que veio para mim nessa existência. Olho para ele e sorrio. Sei e sinto que ele é Sagrado. Por isso, não quero que qualquer um o toque. Não permito. Preciso sentir a energia, a química, o tesão. Preciso me sentir à vontade. Assim, estaremos os dois livres para desfrutar. Do meu corpo e do dele. Hoje, honro e respeito o meu corpo de Mulher. Ele é sábio.

 

Nosso corpo de Mulher é lindo. Com as nossas curvas, estrias, celulites, cicatrizes, pintas, marcas de nascença. Sem Photoshop. Ele carrega nossa história. Cada uma sabe da sua. E basta. Tudo bem fazer plástica, regime ou preenchimento labial, desde que esse desejo venha de dentro. Se vier de fora, não adiantará coisa alguma. Nunca estará bom o suficiente. Nunca. Nunca haverá aceitação. Nosso corpo é lindo porque é com ele que viemos viver essa experiência fantástica que é ser Mulher. Nossos seios, independente do tamanho, dão de mamar às nossas crias. Nosso corpo nos dá prazer. Nosso corpo pulsa pela vida, a todo instante. Acredite, seu corpo de Mulher é lindo. Ame-o e ele lhe amará de volta.

 

Exercício Sagrado #2: Depois do banho ou antes de dormir, pare e olhe-se na frente do espelho. De preferência, de corpo inteiro. Se não puder, tudo bem. Use um espelho menor. Nua, sem maquiagem e sem acessórios. Só você mesma. Fique por cinco minutos. Ou mais. Olhe-se, da cabeça aos pés. Com calma. Evite os julgamentos. Mande-os embora. Vire-se de costa, respire fundo, alongue-se… Contemple-se.

 

Postado na Lua Nova

 

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