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Como é a minha relação com meu útero?

Não é que eu tenho um útero mesmo? Foi mais ou menos essa a reação que eu tive quando comecei a estudar o Sagrado Feminino. Claro que eu sempre soube que nasci com um útero, mas me mantive distante dele. Inerte em uma indiferença institucionalizada, digamos assim. Lembro de olhá-lo nos livros de Biologia do ensino médio, no capítulo do sistema reprodutor feminino, e achar tudo muito interessante. Não sei para as outras, mas sempre foi a parte do corpo que eu mais esperava para aprender. O resto parecia normal, mas o útero e companhia despertavam minha curiosidade. Uma pena que o conteúdo passado foi o básico do básico. Devia haver algo mais ali… Descobri que tem. Muito mais.

 

Viemos do útero de uma Mulher que também veio do útero de uma Mulher que também veio do útero de Mulher… Percebem como estamos todas conectadas por um útero? Nosso útero é ancestral. Vem de décadas, séculos, milênios. Carregamos conosco, de certa forma, a história de todas essas Mulheres da nossa vida. Não apenas da minha bisavó que tive a sorte de conhecer. Ela teve uma mãe, que também teve um mãe, que também teve uma mãe… Todas são minhas mães. Hoje, somos nós que carregamos essa história em nosso ventre. Nascemos Mulheres não por acaso. Estamos aqui para honrar esse legado. Principalmente, para curar esse legado que, devido ao patriarcado e ao machismo, com certeza guarda histórias de dor.

 

O útero é um músculo oco. Por ser oco, ele não retém apenas o bebê durante a gravidez, mas pensamentos, sentimentos, desejos, traumas e amores que vivemos durante a nossa vida. No livro Lua Vermelha, Miranda Gray fala algo que nunca mais sairá de mim. Quando eu li, senti o impacto daquelas palavras e não tive dúvida: larguei o livro, peguei uma folha em branco, uma canetinha vermelha, escrevi em letras maiúsculas e colei na parede do meu quarto.

 

Sua mente e seu útero estão conectados; o que acontece em um se reflete no outro, e vice-versa. (Lua Vermelha – p. 55)

 

A folha está lá. Todo dia paro e olho para ela. Impossível não surgir perguntas na minha cabeça. Aliás, o que mais eu tenho feito nos últimos tempos é me questionar. Quais pensamentos eu ando tendo? Quais pensamentos eu tive na maior parte da minha vida? Quais pensamentos eu quero ter daqui para frente? Como eles impactaram o meu útero? O que eu penso e sinto se reflete no meu útero. Se eu relaxo, meu útero relaxa. Se eu fico tensa, meu útero fica tenso. Somos um corpo só, né? No momento em que rejeito o meu corpo, seja por qual motivo for, estou rejeitando o útero que carrego comigo. Ele sente. Somos energia, além de carne e de osso. O útero também. Ele é “cheio” de energia. Inclusive daqueles que deixamos penetrar nosso corpo.

 

Nossas filhas e nossos filhos são gerados dentro do nosso útero. “Só” por isso podemos sentir a força desse órgão que carregamos conosco. Hoje, não sou mais indiferente a ele. Comecei a perceber e sentir o meu útero de outra forma. Estou consciente de que ele se comporta de maneiras diferentes ao longo do mês, dependendo da fase do ciclo menstrual. Estou consciente também de que sou responsável pela sua saúde. Sei que ele é a minha fonte de intuição, criatividade e amor. Ali, é a fonte da vida. Se penso em engravidar, como quero acolher uma nova vida? Se já engravidei, agradeci ao meu útero por ter acolhido aquele ser? Ali, também é a fonte da criação, das ideias, da inovação. É a fonte da sabedoria da Mulher. Como quero viver a minha? Redescubramos o nosso útero. Amemos o nosso útero. Ele nos deu a vida.

 

Exercício Sagrado #3: Deitada, antes de dormir ou em um momento de relaxamento, coloque as duas mãos sobre o seu útero. Feche os olhos e respire profundamente. Sinta o seu útero. Mesmo que no começo pareça difícil, tente sentir que ele é o seu portal de amor, intuição e criatividade. Sinta que você está se conectando consigo mesma. Se desejar falar algo, fale. Agradeça, peça desculpas, faça uma oração, chore… Deixe fluir. Repita esse exercício sempre que desejar. Principalmente, quando estiver menstruada.

 

Postado na Lua Nova

 

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