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Como foi a minha primeira menstruação?

Todas as Mulheres lembram-se da primeira menstruação. Podem passar décadas, que aquele evento continuará inesquecível. É uma data tão simbólica e transformadora que, por isso mesmo, é rodeada de tabus – em pleno 2017! Nas culturas orientais, acredito que menos. Mas na cultura ocidental menstruar ainda parece anormal. No colégio, nos é passada pouquíssima informação sobre a menarca (eu nem lembrava que essa palavra existia) e sempre de forma insensível. Dentro de casa, muitas vezes ambientes machistas e repressores, também não recebemos orientação sobre o que fazer e sentir quando o sangue descer pela primeira vez. O resultado, para muitas de nós? Lembrar desse episódio como um momento assustador e por vezes traumático.

 

Eu estava no final dos 12 anos, quase 13, e era verão. O cenário foi o apartamento da praia, onde eu curtia as minhas férias escolares numa boa. Até que eu fui no banheiro fazer xixi, normalmente, e o papel higiênico ficou meio marrom, meio vermelho. Na hora, não entendi direito o que estava acontecendo e me assustei. Bateu um desespero. O que era aquilo? O que eu ia fazer? Não passou pela minha cabeça contar para a minha mãe ou para minhas irmãs. Fiquei com medo, com vergonha… Guardei pra mim. No outro dia, havíamos marcado de ir em um parque aquático com uma amiga. Programa que nós fazíamos uma vez por ano e que tinha que ser em um dia lindo de sol. Não era férias se não íamos lá. Amanheceu e lá estava céu azul. Eu não ia estragar o passeio.

 

Enquanto minha mãe, minhas irmãs e eu arrumávamos as bolsas, já tinha me dado conta que tinha ficado menstruada. Sabia do que se tratava aquele sangue e sabia que em uma das gavetas da minha mãe ela guardava absorventes. Entramos no carro, passamos pegar a nossa amiga e rumamos ao parque. E eu quieta. Entramos e escolhemos as mesas para deixar nossas coisas. Tudo “normal”… Não lembro exatamente como foi. Devo ter demorado a tirar o shorts para entrar na água logo, como sempre fazia. Aí, guardo a cena de eu estar no banheiro contando para a minha mãe que tinha ficado menstruada. Eu chorava. Minha mãe disse que eu não precisava chorar e sorriu. Ela disse que íamos comprar absorventes na loja que tinha lá e eu ia poder aproveitar, bastava ficar de shorts. Fiquei aliviada. Quando voltamos para as nossas mesas, ela contou para as minhas irmãs e a nossa amiga. Lembro delas ficarem surpresas e sorrirem.

 

Talvez eu tenha sido exceção e a maioria das outras meninas guardem uma lembrança boa da primeira menstruação. Tomara, mas acho que não. Se, desde pequenas, nós vivenciamos uma cultura que faz com que introjetemos a ideia de que ser Mulher é difícil, que Mulher sofre, que ser Mulher é perigoso (podemos engravidar, né?), menstruar é dar de cara com tudo isso ao ver aquele sangue que sai de nós. E se aprendêssemos que ser Mulher é lindo, que menstruar não significa morrer de cólica todo mês e que ser fértil é uma dádiva? Assim, não começaríamos a rejeitar o nosso corpo desde a primeira menstruação. Diminuiríamos os casos de endometriose, ovários policísticos, TPM… Aumentaríamos os casos de amor próprio.

 

Sei que essa vergonha de ser Mulher que senti naquele dia segue dentro de mim. Pelo menos, estou consciente da sua existência e posso identificá-la em momentos que ela resolve aparecer. O importante é que cada dia sinto que ela diminui. Prometi para mim mesma que, se tiver uma filha, ela não vai sentir o que eu senti. Eu vou fazer diferente. Temos que fazer diferente. O que vamos ensinar para as Mulheres das novas gerações?

O ritual da minha primeira menstruação

 

Após assistir a um webnário sobre a importância dos rituais na vida das Mulheres, senti que precisava fazer o meu próprio ritual para minha primeira menstruação. Mesmo que tenha passado mais de 13 anos. Não que eu vá esquecer o que senti naquele dia, mas considerei importante, como forma de curar aqueles sentimentos ruins. Além de ser uma forma de homenagear aquele sangue e todos os outros ciclos pelos quais já havia passado. Então, surgiu a ideia: comprar uma rosa vermelha no primeiro dia da próxima menstruação.

 

Era um sábado. Saí de casa com a intenção de estar fazendo algo especial. Quando cheguei à banca de flores, avistei as rosas vermelhas. A moça disse: “Pode escolher. Na verdade, dizem que não somos nós que escolhemos, mas a rosa que nos escolhe.” Achei tão lindo… Igual à rosa, tão linda. Cheguei em casa, coloquei a flor na água, dei play em um canto do Sagrado Feminino que encontrei no Youtube e agradeci pela minha menstruação. À noite, por “coincidência”, li o capítulo que narra, simbolicamente, a primeira menstruação no Lua Vermelha, da Miranda Gray. Chorei.

 

Exercício Sagrado #4: Volte àquele caderno onde realizou o Exercício Sagrado #1 e responda a pergunta do título: Como foi minha primeira menstruação? Lembre de onde estava, quem estava contigo, o que sentiu… Se achar necessário, faça um ritual para ressignificar esse momento na próxima menstruação. Ouvir uma música especial, cozinhar o prato favorito, dançar livremente… O mais importante é a intenção.

 

Postado na Lua Crescente

 

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