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O que invejo nas outras Mulheres?

Lembro-me de um momento em que eu devia ter uns 11, 12 anos. A moda entre as gurias do colégio era colocar piercing no umbigo. Eu, claro, também fiquei morrendo de vontade de colocar o tal acessório. Era um sinal de deixar de ser criança, de ser adolescente, de ser popular… Minha mãe, por outro lado, não simpatizou nem um pouco com a ideia e disse que nunca, jamais, em hipótese alguma eu iria colocar aquele “brinco” no meio da minha barriga. Um belo dia, uma colega chegou na aula e levantou a camiseta do uniforme: estava lá, lindo, o piercing no umbigo. Talvez foi a primeira vez que eu tenha sentido inveja de uma Mulher. Lembro-me de quem era e até hoje nutro por ela uma imagem que relaciono com aquela, mesmo que a vida tenha me mostrado que ela é muito mais.

 

No ensino médio, uma colega em especial despertava a minha inveja. Eu dizia que não ia com a cara dela. Alguma coisa nela me incomodava… Ela era extrovertida, apresentava trabalho lá na frente de todo mundo com desembaraço, relacionava-se com os guris de uma maneira tão natural que, para mim, era até estranho, namorava… Parecia tão feliz. Durante a faculdade, convivi com duas colegas que não “me desciam”. Uma delas usava roupas diferentes, cabelão, sorrisão, criava suas pinturas e colagens, mostrava as criações para os outros com orgulho. A outra usava batonzão, era mega desinibida, falava sem papas na língua, ria alto e com vontade. Ambas pareciam tão seguras e criativas.

 

Comecei a me fazer perguntas. Por que eu tenho inveja delas? Por que elas e não outras Mulheres me despertam inveja? O que está por trás da “raiva” que eu sentia delas? O que elas têm que eu não tenho? O que me afastava dos guris e de que forma posso superar isso? Ou já superei? Será que eu não sou capaz de desenvolver essas habilidades e comportamentos que elas têm? Por que eu não me inspiro nelas em vez de ficar nutrindo uma inveja que não leva a nada? Se eu também gosto de criar, por que não consigo mostrar a minha arte do mesmo modo que a outra? Por que eu não tenho coragem de usar roupas diferentes ou simplesmente usar as roupas que eu quero? Por que eu não consigo usar batom vermelho?

 

Sentir inveja, definitivamente, não é bom. Sabe aquele sentimento que forma uma nuvem negra no nosso peito? Com o Sagrado Feminino, percebi que não faz sentido algum sentir inveja de qualquer Mulher, seja quem for. Somos todas iguais. Todas somos filhas de um patriarcado doloroso. Sentimos, de um jeito ou de outro, o machismo nosso de cada dia. Todas nós estamos aqui para nos curar. Todas temos nossas questões. Principalmente, estamos aqui para aprender umas com as outras. Inspirar umas as outras. Toda vez que eu me deparo com uma das três ou outra Mulher que possui algo que me desperta o sentimento de inveja, afasto os pensamentos negativos. O ponto não é querer ser como elas, mas ser eu mesma assim como elas são elas mesmo. Ter o meu brilho próprio e desejar que todas mostrem o brilho delas.

 

Exercício Sagrado #9: Comece a pensar de quais Mulheres você sente inveja desde que era adolescente. Faça as perguntas que eu me fiz. As respostas não virão naquele instante, mas aos poucos elas aparecerão. Então, quando você sentir que está começando a nutrir inveja de outra Mulher, pense do que realmente você tem inveja. Reflita.

 

Postado na Lua Nova

 

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