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O Sagrado Feminino me abriu para o perdão

As pessoas mais próximas de mim sabiam da minha “lista negra”. Eu sempre falava, com certo orgulho (!!!), que eu odiava três pessoas. Mas falo de odiar mesmo. Não aquilo de não gostar de alguém e, com o tempo, passar a ser indiferente a ele ou a ela. Não. Eu falava com todas as letras para quem quisesse ouvir: “Eu odeio eles. Odeio.” Cada vez que pensava em um deles, repetia isso para mim mesma. Tantas e tantas vezes. Por anos. Cada um dos meus alvos tornou-se alvo por um motivo diferente. Duas mulheres e um homem (que não era ex). Todos me fizeram sofrer, cada um do seu jeito. Todos fizeram com que eu chorasse, mesmo que apenas por dentro. Hoje, vejo que elas e ele feriram a Mulher que mora em mim. Talvez por isso doía tanto.

 

Para me curar, percebi que o perdão era, é e sempre será o caminho. Claro que não foi assim tão fácil me tocar disso. Na minha casa, pouquíssimas vezes ouvi as frases “Me desculpa” e “Te perdoo”. Então, para mim, não era algo natural, cotidiano ou comum. Eu sabia que nutrir sentimentos ruins fazia mal, mas não queria saber. Eu odiava e pronto. Sei lá, talvez eu achasse que, assim, quem me magoou sofreria também, mesmo que apenas uma parcela do que eu sentia. Era também, talvez, um jeito de me vingar. De mostrar que eu não tinha esquecido aqueles acontecimentos. Eles viviam em mim. Sem me dar conta, eu não deixava aquelas três feridas cicatrizarem. Elas continuavam abertas, jorrando ódio…

 

Que se voltava todo para mim, claro. Quando comecei a estudar o Sagrado Feminino, dei-me conta que não fazia o menor sentido eu nutrir o maior orgulho em ser Mulher, em honrar o meu útero, meus ciclos e minha menstruação se eu odiava outros dois seres humanos que também eram Mulheres, assim como eu. Não importa o que elas tinham feito. Sei que não se compara sofrimento, mas perto a atrocidades que fazem por aí, não foi algo tão horrível assim. Comecei a pensar que eu nunca estive na pele delas para saber como era ser elas, nunca senti as dores que elas sentiram e que não vale a pena ficar guardando mágoa. Eu não posso controlar o que os outros fazem, mas posso controlar o que eu sinto. Eu senti que precisava lidar com aquilo, de uma vez por todas.

 

Percebi que nutrir esse ódio bloqueava os meus chakras, criava uma mancha escura no meu coração, desequilibrava as minhas emoções, ia contra a sororidade que eu pregava e não condizia, simplesmente, com a energia de amor que eu queria respirar e viver. Ao meditar, percebi que eu possuo toda a capacidade de perdoar para a qual eu me dispor. Eu consigo perdoar e eu devo perdoar. Comecei a sentir uma urgência em resolver as questões do passado. Não queria – e não quero – de jeito nenhum começar 2018 com esses assuntos pendentes. De volta à lista, resolvi colocar em prática: com o homem, escrevi uma carta e mandei pelos Correios. Com uma das Mulheres, fiz um exercício de visualização e fala. Com a outra, comecei a me reaproximar, cumprimentar, conversar… Não precisa forçar nada. Aos poucos, eu vou conseguindo.

 

Também encarei as questões dolorosas que nutria com a minha mãe, meu pai e minhas irmãs. Percebi que eu precisava pedir perdão e perdoar as pessoas da minha família. As Mulheres da minha família. Mesmo depois de toda reflexão e ação, ainda faltava algo. Até que um dia, há cerca de um mês, depois de falar em voz alta, em um momento de estresse, um “Eu tô horrível!!!” por causa das minhas espinhas, me arrependi na hora de ter falado aquilo. Que crueldade… Aí, veio o insight. Eu preciso pedir perdão para mim mesma. Por tudo o que já fiz de mal para mim, consciente e inconscientemente. Por todas as vezes em que me cobrei demais, me menosprezei, me expus a situações que sabia que me fariam mal, maltratei as pessoas que gosto, por meus vícios e padrões negativos… Por todas as vezes em que tive medo de ser eu mesma.

 

Percebi que a minha essência é o amor e o perdão é o caminho. Esse meu exercício é contínuo. Comigo e com os outros. O Sagrado Feminino me abriu para o perdão e, assim, eu me abri para o amor. Principalmente, por mim mesma.

 

Exercício Sagrado #11: Todas nós temos questões a resolver. Repense se há pessoas que você precisar perdoar. Mesmo que ela more longe, já morreu ou você não tem como entrar em contato. Pense nela e fale em voz alta tudo o que você guarda. Coloque pra fora. De coração aberto. Se precisar, peça desculpas também. Se puder e quiser resolver as questões olho no olho, melhor. E lembre-se: faça esse exercício com você mesma. Perdoe-se.

 

Postado na Lua Nova e no Natal

 

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