Skip to main content

Parei a pílula e voltei a sonhar

Eu não era de prestar atenção nos meus sonhos. Só se eram muito legais ou muito horríveis. Ou se tinham alguma pessoa especial. Até que eu percebi que eu sonhava pouco. Ou melhor, que eu lembrava muito pouco dos meus sonhos. Porque, pelo que eu vi, nós sempre sonhamos, mas muitas vezes não nos lembramos das pequenas historinhas. Era raro o dia em que eu falava: “Nossa! Você não sabe o que eu sonhei essa noite…”. Em 2017, decidi que eles seriam mais uma forma de autoconhecimento. Tentaria analisar o que eles estavam querendo me dizer, mesmo que, no fundo, eu nutrisse certa descrença em relação a isso. Comecei a anotar praticamente todos os sonhos que eu tinha e a procurar explicações no Google. Depois que vi que elas estão muito mais perto. Dentro de mim.

 

Para algumas Mulheres, a pílula anticoncepcional pode não ter efeito sobre os sonhos. Para mim, no entanto, sei que elas interferiam – e muito! – no meu padrão de sono. Eu sempre acordava cansada, mesmo depois de oito horas de sono, como manda o figurino. Raramente, eu sonhava. Quando parei a pílula, no começo de 2017, comecei a acordar mais durante a noite. Às vezes, por razão desses mesmos sonhos. Dormia menos, mas de alguma forma dormia melhor. Sinto-me, desde lá, mais disposta durante o dia para criar, estudar, escrever, viver. Assim que eu deixei de lado os hormônios artificiais, comecei a desejar fortemente ter contato com a minha intuição. Pensava: “Vamosss, intuição! Aparece logo para mim!”. Escrevi até um texto sobre isso. Foi o retorno ao meu blog de crônicas pessoais, o qual estava parado havia um tempo.

 

Naquela noite, depois de pedir pela minha intuição a partir das palavras – que é o que eu sei e gosto de fazer -, eu sonhei. Está lá no meu caderno de sonhos. 4 de maio de 2017. Se isso não é a prova de que eu começava a me realinhar comigo mesma e que minha intuição estava viva se eu quisesse ouvi-la, não sei mais o que pode ser. Se antes eu reclamava que não sonhava, hoje não posso mais reclamar. Poderia dizer que sonho até demais. Não. Eu gosto de sonhar. Pesadelos, desses tenebrosos, não me lembro de ter tido um sequer. Tenho alguns sonhos que são estranhos ou meio caóticos, outros com algumas cenas desagradáveis, mas nada tão assustador. O que sabemos é que os sonhos são criações do nosso inconsciente. Sentimentos, desejos e pensamentos que guardamos lááááá no fundo (e que compõe a maior parte da nossa mente) “materializam-se” durante nossas noites.

 

Obviamente, não são todos os sonhos que são “UAU”. Alguns são mais “normais”. No entanto, tive alguns bastante curiosos. Desde que minha avó materna faleceu, eu nunca havia sonhado com ela. Fazia anos. Poucos meses depois que parei a pílula, sonhei. Há pouco tempo, meu avô materno faleceu. Esses dias, os dois apareceram em um sonho. Claro que não compreendi exatamente o porquê daquele sonho, mas valeu o esforço. Um dia, a resposta vem. Já sonhei muito com água, vazamentos e até o mar, que ainda estou indo para o colégio no ensino médio, várias vezes que estou atrasada para a formatura da faculdade, que moro ainda na casa onde passei minha infância e adolescência, que sempre estou em um transporte coletivo, ônibus, van, avião… A única vez que sonhei que estava dirigindo um carro, eu quase bati. Recentemente, sonhei que andava sozinha, a pé, numa estrada. Não sentia medo. Sonhei com sexo, que beijava homens e mulheres. Sonhei com sexo e menstruação, juntos. Sonhei com uma menininha que ficou menstruada e que chorava, enquanto o pai dizia que estava tudo bem. Sonhei com morte. Várias vezes.

 

No começo, logo que eu acordava, não importava a hora que fosse, pegava o celular e anotava o sonho que eu recém havia tido no bloco de notas. Escrevia. Continuo anotando sempre logo depois que acordo. Mas percebi que prejudicava o meu sono. Afinal, eu tinha que ficar digitando palavra por palavra com aquela luz no meu rosto. Se o sonho era mais longo, pior. Então, tive uma ideia: podia gravar. Passei a ligar o gravador de áudio e narrar o que havia acontecido. Desse modo, consigo também colocar mais detalhes. Falar é mais fácil e passa mais emoção. É um relato mais fiel. Depois, coloco o celular de lado e volto a dormir. Às vezes, consigo. Às vezes, não. Quando vou passar o sonho para o caderno, escrevo-o em caneta e em lápis algumas reflexões que tive a partir daqueles “curtas-metragens” produzidos pelo meu inconsciente. No começo, sempre colocava no Google pra saber o que significava. Hoje, sei mais ou menos o que alguns elementos querem dizer. E aprendi que o sonho é da pessoa. Vai fazer sentido a partir do que ela está vivendo naquele momento.

 

Às vezes, fico dias sem transcrever os sonhos. Mas, quando o faço, ainda consigo me lembrar de algumas cenas quase que perfeitamente. Fui atrás de dicas e aprendi que a melhor maneira de registrar os sonhos é narrando no presente. Além disso, tentar lembrar do que eu estava sentindo naquela situação. Eu tinha medo? Do quê? Eu estava feliz? Eu me sentia mal? Sempre tento ficar atenta com o que eu sentia no momento. Outra coisa que gosto de fazer é colocar em qual período do ciclo menstrual eu estava, ao lado da data. Essa informação pode fazer com que você analise o seu sonho com outros olhos. Dá para colocar também a fase da lua. Quando um sonho é muito marcante, lembro-me de anotar na mandala menstrual. Assim, os registros ficam todos mais completos. Aos poucos, as ligações vão ficando mais naturais.

 

Cada uma de nós vai descobrir a melhor maneira de entrar em contato com os seus sonhos. Não tem regra. O processo é diferente para cada Mulher. De uma coisa, pelo menos, eu sei: não quero mais desperdiçar os avisos que minha intuição me dá por meio deles. Se eles vêm até mim, eu também vou até eles. Bons sonhos!

 

Exercício Sagrado #17: Se você sentir que quer começar a prestar mais atenção aos seus sonhos, reserve um caderno só para eles. No começo, tudo pode parecer estranho e distante. Aos poucos, alguns padrões começam a aparecer e você pode perceber que, de fato, eles fazem sentido. No canal do Youtube Que sonho é esse?, encontrei explicações que fecharam comigo. Dê uma olhada, se desejar.

 

Postado na Lua Cheia

 

Quer receber 30 Dicas Grátis de Séries, Filmes e Livros sobre o Sagrado Feminino?  Clique aqui

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *