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Porque comecei, continuei e parei com a pílula

Por que eu comecei a tomar a pílula anticoncepcional? Para evitar uma gravidez. Mas camisinha também evita gravidez. Sim, mas os homens, em geral, não são muito fãs dela. E eu não queria desagradar. Correr o risco de perdê-lo? Nem pensar! Além do mais, todas as mulheres tomavam. Logo, pensei que não devia haver nada de muito ruim nelas. São pílulas pequeninas, “inofensivas”. A ginecologista da época, que eu lembre, também não fez questionamento algum sobre a minha decisão. Receitou um anticoncepcional que diminuiria a minha acne e pronto. Ele? Ficou radiante. Eu também, de certa forma. Foi praticamente um marco na minha vida! Pensei: “Tornei-me mulher!” Que ironia… Assim começou a minha história com as cartelas mensais, aos 20 anos.

 

Agora, por que eu continuei a tomar a pílula anticoncepcional? Por conveniência. O relacionamento terminou, a vida continuou e eu segui na companhia das cartelas. Nem passou pela minha cabeça parar de tomar a pílula. De fato, eu não sentia enjoos, não sentia dor de cabeça (só às vezes, um dia antes da “menstruação”), não engordei, sabia exatamente quando estaria “menstruada” e quando pararia, a pele não estava ótima, mas também não estava péssima, tudo ia bem. Mesmo sem pretendente a namorado, continuei a tomar. Tinha estágio, faculdade, vida social, tanta coisa para se preocupar, pelo menos a menstruação não era uma delas. Desse modo, continuei, continuei, continuei…

 

Finalmente, por que parei de tomar a pílula anticoncepcional? Foi meio sem querer. Estava sentada no sofá com a minha irmã mais nova e conversávamos sobre a pílula e a síndrome do ovário policístico que ela tem. Eu comentei que, toda vez que eu me abaixava e levantava, eu sentia uma tontura. Precisava respirar e esperar alguns instantes para abrir os olhos. Numa das vezes, senti o lado direito do meu corpo formigar. Não muito, mas senti. Lembrei do risco de AVC e trombose. Um medo me bateu e decidi parar naquele instante. Fui ver quantos comprimidos ainda tinham na cartela daquele mês e percebi que ela terminaria no dia do meu aniversário. Estava decidido: era a última. Vida nova dali para frente, aos 26 anos. Lembro-me de ter consciência que apareceriam espinhas. E só.

 

Depois de alguns dias e meses, começaram os questionamentos… Eram anos comprando aquela caixinha na farmácia e parecia que eu nunca tinha me dado conta que ali havia uma faixa vermelha. Se eu não estava doente (qual era a minha doença?), por que eu tomava todos os dias (tirando os dias de pausa) um remédio de faixa vermelha onde se lê “venda sob prescrição médica”? Há cinco anos e dez meses? Por que eu gastava dinheiro do meu suado salário de estagiária com aquilo todo mês? Se eu não estava em um relacionamento (que não é justificativa, mas pelo menos evitaria uma gravidez), por que eu seguia com a pílula? Eu havia lido a bula daquele remédio, de cabo a rabo, alguma vez na vida?

 

A verdade é que eu não estava consciente em momento algum da minha história com a pílula anticoncepcional. Estar consciente significa estar ciente das consequências de continuar ou parar com essa medicação. Eu segui o que todo mundo estava fazendo, o “normal”. Quando parei, sequer pesquisei o que aconteceria com o meu corpo, o turbilhão até o equilíbrio. Só eu mesma posso decidir o que é certo ou errado para mim, meu corpo e minha vida. Quem havia tirado esse direito de mim? Toda e qualquer mulher pode tomar a pílula, desde que essa seja a SUA vontade. Toda e qualquer mulher pode parar de tomar a pílula, desde que essa seja a SUA vontade.

 

Postado da Lua Cheia

 

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