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Precisamos falar sobre sororidade

so·ro·ri·da·de
(larim soror, -oris, irmã + -dade)
substantivo feminino

1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

2. União de mulheres com o mesmo fim, geralmente de cariz feminista.

“sororidade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/sororidade [consultado em 19-12-2017].

 

Você precisa saber o que é sororidade. Você, eu, todas e todos nós precisamos saber o que é sororidade. Se por algum acaso você ainda não sabe – ou nunca ouviu falar (espero que não!), eu trouxe o significado aí em cima. É uma palavra que começou a se popularizar com o aumento das lutas feministas e que agora é dita tanto nas mesas de bar como em programas de debate na televisão. Para resumir, significa a união das Mulheres. É, parece importante. Portanto, precisamos falar sobre sororidade. Eu devo ter escutado esse conceito há uns dois anos, por aí. É algo novo. Foi praticamente ontem que ele surgiu. Será mesmo que ele é tão recente assim?

 

Ao estudar o Sagrado Feminino, percebe-se que, há milênios, as Mulheres praticam a sororidade. Cantam juntas em círculos, realizam rituais em determinadas fases da lua, compartilham receitas de cura, lavam roupas nos rios, tocam tambor e dançam, apoiam-se umas às outras. A ideia de que as Mulheres são competidoras entre si é uma invenção do patriarcado. Qual é o interesse que as Mulheres se unam se, ao se unirem, elas ficam mais fortes, conscientes e menos medrosas? Qual é o interesse em fortalecer o vínculo de fraternidade, parceria e amorosidade entre as Mulheres quando se tem uma cultura que privilegia os direitos dos homens? Resposta: nenhum interesse. Quanto mais desunidas, melhor. A desunião não faz a força, afinal.

 

Eu não sou homem, logo não sei sobre o que os homens conversam quando se reúnem. Não posso falar sobre eles, mas posso falar sobre as minhas experiências como Mulher. Quem de nós já não se reuniu com as amigas e o papo reuniu dezenas de julgamentos em relação a outras Mulheres? Eu já. Várias vezes!!! “Você viu o cabelo da fulana? Que louca! Ficou horrível! Porque será que ela cortou daquele jeito?”, “E aquela lá? Deu uma engordada, né?”, “E a outra lá que está namorando há dois meses e já quer casar. Que desespero!”, “E a ciclana que se formou em Direito e agora trabalha vendendo docinhos? Coitada…”, “E a fulana que teve filho e não voltou a trabalhar ainda? Vai ficar em casa só cuidando de criança?”.

 

Comentários como esses podem parecer inofensivos, mas nos afastam cada vez mais. Será que não temos mais nada para conversar? Não que precisemos parar hoje de falar sobre a vida das outras, mas precisamos urgentemente parar de disseminar tanto julgamento, fofocas, picuinhas. Lembre-se: elas são humanas e enfrentam dilemas assim como você. Também ressalto que não precisamos nos amar de um segundo para outro e passar a confiar plenamente em qualquer uma. Não, pois falta de caráter não é questão de gênero. O ponto-chave é: precisamos olhar as outras Mulheres como Mulheres. Quando você percebe que a outra Mulher veio a esse mundo de um útero, com um útero e é filha da Lua como você, não há motivo para desmerecê-la.

 

Ela é tão Sagrada como você. Se você honra a sua avó, mãe, irmãs, amigas, colegas de trabalho, vizinhas, honre também aquela que usa uma roupa que você nunca usaria, trabalha em algo que você nunca trabalharia, vive uma vida que você nunca escolheria viver. Ela é tão Sagrada como você. Nunca se esqueça disso. Una-se a elas, mesmo que apenas em pensamento. Nutra esse sentimento. A energia do amor reverberá entre vocês. Entre todas nós. Isso é sororidade.

 

Exercício Sagrado #10: Deixe, pouco a pouco, de julgar as outras Mulheres, por qualquer motivo que for. Mesmo que seja algo bobo, como o corte de cabelo. Primeiro, comece a não verbalizar a crítica. Perceba: ela não é necessária. Depois, afaste os julgamentos que sua mente continuará a criar. Com o tempo, você trocará o julgamento pela empatia. E isso é lindo!

 

Postado na Lua Nova

 

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2 thoughts to “Precisamos falar sobre sororidade”

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