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Quando descobri o patriarcado e o machismo

É impossível falar de Sagrado Feminino e não lembrar de patriarcado. É impossível falar sobre ser Mulher e não lembrar de machismo. As duas coisas andam juntas. Ou melhor, distanciadas. Há anos-luz de distância entre uma e outra. Não é fácil crescer Mulher em uma sociedade patriarcal que desconhece e, por isso mesmo, desmerece os dons que cada Mulher carrega consigo. Uma cultura que não as deixa sequer conhecerem seu corpo, seus ciclos, sua intuição. Uma educação ultrapassada que faz com que passemos anos e anos em uma sala de aula para sair de lá sem a noção de que vivemos em um patriarcado há milênios. A boa notícia é que há um jeito de mudar o jogo. E tudo começa com ele, o ponto-chave: o despertar.

 

Na obra O Livro do Amor – Vol. 1 – Da Pré-História à Renascença, da Regina Navarro Lins, encontrei uma explicação para o surgimento do patriarcado que considero oficial. Podem haver outras versões. Li o livro em 2016 para a minha monografia (recomendo!). A autora diz que durante a Era Paleolítica, o homem não tinha conhecimento do seu papel de criador e, consequentemente, de pai. Reay Tannahill, citada por Regina, aponta que “o momento da verdade” pode ter ocorrido na Era Neolítica, com o pastoreio de animais. Conforme Reay, os primeiros agricultores logo aprenderam que as ovelhas segregadas não produziam filhotes; quando um ou dois carneiros eram introduzidos no rebanho, os resultados se tornaram espetaculares.

 

Não demorou muito para que o homem entendesse o seu papel na reprodução da espécie humana: fecundar a fêmea. Assim, o macho passou a “reinar” sobre toda a espécie. O patriarcado foi o responsável por disseminar a visão unilateral de vida, onde o homem é o “todo-poderoso”.

 

Quando o sistema patriarcal se estabeleceu entre nós, há aproximadamente 5 mil anos, dividiu a humanidade em duas partes – homens e mulheres – e colocou uma contra a outra. Determinou com clareza o que é masculino e feminino, subordinando ambos os sexos a esses conceitos. E, ao fazer isso, dividiu cada indivíduo contra si próprio, porque para corresponder ao ideal masculino ou feminino da nossa cultura, cada um tem que rejeitar uma parte de si, de alguma forma, se mutilando. (O livro do Amor – Vol 1, p. 24)

 

Não lembro o dia exato em que me dei conta que vivo em uma sociedade extremamente machista. Não foi com 15 anos. Nem antes dos 20. Foi há poucos anos que percebi com todas as letras e com todas as dores o que o patriarcado fez comigo e com todos ao meu redor, Homens e Mulheres. Mesmo vivendo em uma família na qual todos os membros do sexo masculino são machistas, eu simplesmente não me dava conta de que aquilo tinha um nome. Eu achava normal, porque era a única visão à qual eu tinha acesso. Quando se deu o estalo e percebi que aquelas atitudes – inclusive as minhas – não eram naturais, mas construídas, minha vida começou a mudar. E comecei a falar com todas as letras: ISSO É MACHISMO! Foi enfurecedor e libertador.

 

Na época, comecei a comprar a Revista Tpm, assistir ao Saia Justa, consumir mídia feita por Mulheres. Comecei a buscar quem falasse sobre isso. Quem sentia o que eu sentia:  raiva. Eu senti muita raiva. Como assim esse mundo injusto, esses homens nojentos, se acham no direito de dizer o que eu, minha mãe, irmãs e amigas podemos ou não fazer? Como assim homens matam Mulheres todos os dias e fica por isso mesmo? Como assim Mulheres são estupradas à luz do dia e na calada da noite e todo mundo continua vivendo a sua vidinha ordinária? Algo está errado, muito errado. Algo dentro de mim se modificou. Eu não entendia o que era, mas não tinha mais volta. Aí, descobri o feminismo e depois o Sagrado Feminino. Mais para frente, amplio essas descobertas.

 

O fato é que o patriarcado está chegando ao fim. Goste ou não, ele terminará. Não é à toa que o mundo vivencia tamanho mal-estar. A energia masculina está em excesso, enquanto que a feminina é abafada. O desequilíbrio dentro de nós mesmos reverbera pelo Universo e vice-versa. Até a hora em que isso se torna inviável. Esse é o momento. O mais incrível é perceber que, mesmo com milênios de patriarcado, Mulheres queimadas nas fogueiras, mutilações de clitóris, negação da menstruação e todo tipo de sofrimento vivido por nós, o Sagrado Feminino resiste. Vive no útero de cada Mulher que pisa nesta Mãe Terra. Ele está pulsando forte, vibrando em busca de espaço e amor. É só ouvir e deixá-lo despertar. Foi uma das melhores coisas que fiz por mim até hoje. E estou só no começo.

 

Postado na Lua Minguante

 

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